A cada verso que eu escrever vai
ser e será pra te trazer de volta, te mostrar a porta aberta e por onde deve
entrar. Se será pelos fundos ou simplesmente pela porta da frente. A vida da
voltas e a gente sempre recomeça do ponto de partida novamente, Ficamos
rodeando o tabuleiro de jogos até chegar ao final, mas é como um labirinto
mesmo acho, que é devagar que vai se encaixando, Com paciência e força de
vontade pra tentar. Eu nunca quis te deixar
ir, jamais pensei em me definhar por sua ausência em minha louca e
perturbada vida, sempre fui segura de mim mesma, e o eu que carrego ainda sou
eu, de alguma forma não consegui mudar certos hábitos que adquiri com você; o
comer sopa de garfo e comida sólida de colher, comer sobremesa assistindo séries
da TV em um fim de tarde, colocar a música que dançamos em Fernando de Noronha
naquela festa de fim de ano, comer pipoca e repetir o mesmo filme como se não
houvesse outros na locadora. Eu sempre
penso em como será daqui pra frente, como seria a sua volta depois de dez anos,
como eu estaria lhe esperando na sala de estar ou na cozinha onde preparo meu
macarrão caseiro, já que você é o único que não aprova minha comida, acho que o
básico serviria para arrancar um ‘’ muito bom’’ da sua boca dessa vez. Deixe-me
tentar mais uma vez, e vamos ver se o nosso amor é esse mesmo que todo mundo
prega, que as bancas de jornal vendem e os escritores escrevem anualmente. Vamos
tentar amar bem devagar pra sentir o que é real. A vida tem suas fases e nós
temos as nossas brigas estas que fazem parte de um amadurecimento constante. Tentar,
isso é o que faz ser diferente dos outros. O tentar, o seguir. A cada verso que
eu escrever vai ser e será pra te trazer de volta, te trazer para os meus
sorrisos, para as minhas madrugadas acordada, para o meu estranho mundo onde só
você se encaixa, e nenhum outro estranho me faria tão bem como você me faz.
Volta vai.

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